PEREIRA DA VIOLA

 

foto em baixa Vilmar Oliveira

 

Pereira da Viola, embora seja um artista ligado essencialmente à cultura mineira, à sua raiz no interior, é também um instrumentista universal. Ele é capaz de tirar da viola (instrumento de origem europeia), uma inusitada versão de Carmina Burana, por exemplo, sem perder a qualidade e o batido típico aprendido junto a seus mestres das Folias de Reis.

Nascido em uma das regiões mais pobres do país, negro, trabalhador rural, poeta, cantor, folião e violeiro, aclamado pela crítica como um gênio em sua arte, Pereira da Viola é, organicamente, um dos porta-vozes de uma expressiva parcela do universo rural brasileiro. A característica única de seu trabalho, quando toca a viola utilizando simultaneamente o tampo para percussão, criando suas famosas batidas de contra-dança, batuques e voltados-inteiros, faz dele um representante especial do instrumento e da sonoridade da viola tradicional mineira, associada à cultura não do caipira apenas, mas sobretudo a do negro e do índio.

         O violeiro, rabequeiro, cantor e compositor Pereira da Viola nasceu em São Julião – município de Teófilo Otoni/MG. Em mais de 30 anos de carreira, Pereira tem cinco CDs solo lançados: Terra Boa, Tawaraná, Viola Cósmica, Viola Ética e Akpalô. Além destes, também participou de vários CDs de outros artistas e de registros em trabalhos coletivos, dentre eles os mais recentes são VivaViola – Volume 2, e o Pote, lançado em parceria com Wilson Dias e João Evangelista Rodrigues.

         Com uma carreira sólida e reconhecida em todo território brasileiro, o artista já tocou em quase todo o país, além de todas as regiões de Minas Gerais e fora do Brasil.

         Seu talento e estilo único fizeram com fosse alçado a ícone da viola caipira. Com estilo original e versátil, Pereira da Viola integra visão poética, compromisso e solidariedade social. Seu repertório heterogêneo e amplo inclui desde brincadeiras de roda, até ritmos religiosos do congado e das folias de reis, batuques, samba de roda, calango e forró de viola. Isto sem falar dos ritmos e temas próprios da Música Popular Brasileira e Caipira de Raiz.

         A trajetória histórica de Pereira no mundo artístico começa em 1985, influenciado pelas obras de artistas como Dércio Marques, Rubinho do vale, Titane, Milton Nascimento, Tonico e Tinoco e Almir Satter, dentre outros.

Em 1993, grava seu primeiro disco “Terra Boa” considerado pela crítica uma obra prima da música regional brasileira.

Em 1996, grava o segundo cd “Tawarana”, nome de uma dança indígena do Xingu.

Em 1998, participa do projeto “Violeiros do Brasil, no Sesc Pompéia/ SP, que resultou num cd e especial da TV Cultura. Gravou também seu terceiro cd “Viola Cósmica”.

Em 2001, grava seu quarto cd “Viola Étnica”.

Em 2003, promoveu o 1º Encontro Nacional de Violeiros em Ribeirão Preto / SP que contou com 10 mil pessoas e gerou a associação Nacional dos Violeiros (ANVB) entidade que busca valorizar a cultura caipira. Foi presidente da ANVB até 2010.

Em 2005, representou o Brasil no Festival da Canção Necessária em turnê pela Venezuela.

Em 2006, em Portugal, participou do Cine Port- Festival de Cinema dos países Lusófonos e do Festival Rotas.

Em 2007, gravou seu quinto disco “Akpalô”. Participou do dvd e livro “Violeiros do Brasil” com Almir Sater, Pena Branca, Roberto Correia, Braz da Viola, Paulo Freire, Passoca, Ivan Vilela, Tavinho Moura, Zé Mulato e Cassiano.

Em 2009, shows de lançamento do dvd e livro “Violeiros do Brasil” em São Paulo, Belo Horizonte, Foz do Iguaçu e Londres.

Em 2010, shows nas Ilhas Canárias e Espanha.

Em 2011, se apresenta na Europália em Bruxelas e grava seu sexto cd “Pote”.

Em 2015, lançará seu primeiro dvd em que reúne mais de 30 anos de trabalho em composições, parcerias e andanças pelo mundo. Nele, inclui e extrapola a diversidade da música regional, aumentando a visibilidade da criação artística de Minas Gerais e contribuindo para a divulgação das artes, lendas e crenças do povo mineiro e brasileiro.