MAURICIO TIZUMBA LANÇA ‘GALANGA, CHICO REI’

Álbum com músicas de Paulo César Pinheiro e produzido por Sergio Santos homenageia o herói negro

1

“Galanga, Chico Rei” traz 11 faixas, todas compostas por Paulo César Pinheiro, um dos mais consagrados compositores brasileiros, sendo três delas fruto da parceria de longa data com o cantor, violonista e produtor musical Sérgio Santos e duas com o próprio Tizumba. Oito das faixas gravadas nunca tinham sido registradas. O álbum foi produzido e arranjado por Sergio Santos, que responde, ainda, pelos violões e, em algumas faixas, pelos vocais. “Galanga, Chico Rei” conta também com as vozes de Bia Nogueira e Júlia Dias, o piano e a sanfona de André Mehmari, a percussão de Sérgio Silva, o baixo acústico de Beto Lopes, o vibrafone de Antônio Loureiro e um quinteto de madeiras formado por Catherine Carignan, Cássia Lima, Alexandre Barros, Maria Liebrech e Marcus Julius Lander.

 “A música da manifestação popular já existe, não cabe apenas repeti-la. Buscamos nesse trabalho uma linguagem instrumental distinta, que também se aproxima da música erudita e da música instrumental brasileira. Embora tenha esse colorido diferente, é um disco do Tizumba, enraizado nele”, explica Sergio Santos.

Com sofisticada sonoridade, que remete às nossas mais profundas raízes musicais afro-brasileira, sobretudo a do congado, o álbum é uma homenagem ao rei africano escravizado no Brasil e convertido em herói ao comprar a própria liberdade, adquirir riqueza e libertar centenas de outros escravos. A narrativa sonora, fruto de extensa pesquisa empreendida pelo próprio Paulo César, foi criada originalmente para a peça homônima escrita por ele, dirigida por João das Neves e protagonizada por Tizumba que estreou em 2011.

 “O povo negro foi vitorioso também, não apenas sofredor. Precisamos contar as histórias desses heróis que a historia oficial tenta sempre apagar. Contar a história de Galanga, a história invisibilizada de um herói negro vencedor, é também um ato de resistência política e cultural”, diz Tizumba.

capa disco GALANGA CHICO REI MAURICIO TIZUMBA

FAIXA A FAIXA POR MAURICIO TIZUMBA E SERGIO SANTOS

1. Embaixada do congo

Essa música vem para abrir. São as guardas chegando e avisando que o festejo vai começar, abrindo a festa que é o próprio álbum Galanga Chico Rei. O vibrafone, aqui, simula a marimba e traz um colorido diferente ao aviso.

2. Capitão e Capitã

A maior festa do álbum! É uma convocação: vamos embora pra luta! Politicamente falando, essa música é mais atual do que nunca. Ela também traz o sincretismo, a dimensão da luta sem perder a fé, e a dimensão da fé sem perder a festa.

3. Falange

É uma música com uma letra quase singela. Traz o quinteto de madeiras e, mesmo sem o tambor, é marcada por uma sonoridade serra-abaixo.

4. Orumilá

Essa música é atual, diz da busca pela igualdade econômica. Tem que “cavucar” para chegar lá. A sanfona deu um brilho a mais.

5. Galanga Chico Rei

Complexa e gostosa de cantar, com muitos termos que não são do português. Tiramos o tambor e a música respirou mais, dentro de uma nova abordagem. No conjunto, permanece colorida.

6. Congado do Candombe

É a grande oração do disco. Pede a proteção do panteão afro-brasileiro. Para firmar, para não deixar cair.

7. A Rainha e a Princesa

A letra diz de atrocidades, de quando jogaram a Rainha e a Princesa ao mar. Com o quinteto de madeiras, a linguagem fica mais próxima da música erudita. Os arranjos são tão profundos quanto a cena.

8. Congadeiro

É uma música muito rítmica, com patangome e caixas de congado. Aqui, também entram o violão e o piano. É uma festa de congado.

9. Na ginga do Congo

Essa música é viva, saltitante, festiva. Nos leva para outro universo, para um terreiro no Congo.

10. Louvado Seja

É uma despedida, curta e marcante. Aqui, retorna o quinteto de madeiras.

11. Viva Zambiapongo

Para fechar o álbum, tem uma embaixada congadeira. Tambor e voz. Um moçambique serra-acima, bem chão, bem raiz.

REI DA ÁFRICA E REI DAS MINAS GERAIS

Nascido rei do Reino do Congo, Galanga, em porão de navio negreiro, saiu da África. Escravo no Brasil, cavucou, pois tem que tirar ouro, que o dono do ouro é que manda no mundo. Assim, em terras mineiras, conquistou a alforria, virou dono de mina e libertou centenas de outros escravos. Rei de Zambiapongo, é rei onde chega, Obá dos Obás. E Galanga, Chico Rei, ainda inventou o congado.

A história e a lenda desse herói negro brasileiro, invisibilizada pela história oficial, foi transformada em narrativa sonora pelas mãos de Paulo César Pinheiro e, pela primeira vez, é registrada em álbum, o sexto da carreira de Mauricio Tizumba, com produção musical e arranjos de Sergio Santos.

Bate couro de repique, bate gunga, bate espada, capitão de Moçambique vai abrir essa congada. Bem-vindos e bem-vindas ao reino de Galanga, nosso rei. Se junte à Irmandade. Irmão, se aquilombe.

Para ouvir o disco: