Luis Barcelos por Mariana Rocha 2b

LUIS BARCELOS

Luis Barcelos é bandolinista, cavaquinista, compositor e arranjador.

O jovem músico é considerado por grandes artistas brasileiros uma revelação do bandolim. Barcelos, que se firmou musicalmente a partir da genuína música carioca, ganha a admiração do público pelo som único, inventivo, marcante. Tem como foco do seu trabalho o Choro, transitando com liberdade por diversos gêneros musicais, entre o seresteiro e o solista virtuose, em interpretações e improvisos emocionantes.

CD “Depois das Cinzas”

“Todo mundo fala nele quando o assunto é bandolim”, diz o mestre do Choro Mauricio Carrilho, que não é de fazer média. “E, no meio de tanta qualidade e fundamento, tem uma coisa que a gente precisa reconhecer: poucos músicos na história do choro improvisaram com tanta fluência, beleza, naturalidade e brasilidade quanto o nosso Luisinho. É lindo ver como brota fácil, fonte inesgotável de assuntos e argumentos, de seu bandolim, tanta melodia bonita, assim, na hora.”

O “Luisinho” do texto de Carrilho é Luis Barcelos, jovem bandolinista, arranjador e compositor gaúcho que baixou no Rio de Janeiro em 2005, aos 18 anos, para, em pouco tempo, ser considerado por grandes nomes da música uma revelação como instrumentista. Alguns deles, aliás, se reuniram em torno de Luis num show que serviu de cartão de visitas do bandolinista fora do circuito informal das rodas boêmias cariocas, onde ainda era um segredo bem guardado. Realizada no Teatro Carlos Gomes, em 2009, a apresentação contou com refinado repertório, incluindo composições próprias de Luis, e convidados do naipe de Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Marco Pereira, Eduardo Neves, Henrique Cazes, Nicolas Krassik e Rogério Caetano. Dado o pontapé inicial, Luis consolidou o seu nome e ampliou fronteiras. Como bandolinista, participou de shows e discos de Chico Buarque, Beth Carvalho, Wilson das Neves, Paulo Moura, Yamandu Costa, Época de Ouro, Nicolas Krassik, Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho, entre outros. Como compositor, além de seu trabalho instrumental, fez parcerias com os veteranos Hermínio Bello de Carvalho e Délcio Carvalho. Como arranjador, escreveu Suíte Impressão Brasileira, de Yamandu Costa, sob encomenda do Museu do Louvre, Paris. Como diretor musical, assinou o espetáculo teatral Amigo Cyro, Muito te Admiro, sobre o cantor Cyro Monteiro, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. Como professor, ministrou oficinas de bandolim e cavaquinho no projeto TIM Música nas Escolas e em festivais de Brasília, Pelotas e Curitiba. No exterior, apresentou-se na França, Índia, Bélgica e nos EUA.

Unindo a escola do bandolim brasileiro ao atual bandolim de 10 cordas, o som único, inventivo e marcante de Luis Barcelos tem como foco o mais sofisticado gênero instrumental brasileiro, o Choro. Com liberdade, também transita por outros caminhos musicais, entre o seresteiro e o solista virtuose, em interpretações e improvisos sempre emocionantes.

Seu trabalho como compositor contribui para a ampliação do repertório instrumental brasileiro e suas interpretações como solista objetivam uma renovação bem fundamentada do gênero, cuja tradição se fundamenta na expressão musical coletiva; na técnica, a serviço da música; e na improvisação, gostosa como uma conversa despretensiosa.

O show Depois das Cinzas marca o lançamento do disco homônimo de estreia de Luis Barcelos. Acompanhado de um regional formado por Patrick Ângelo (violão de sete cordas), Glauber Seixas (violão de seis cordas), Leonardo Pereira (cavaquinho) e Marcus Thadeu (pandeiro e bateria), Barcelos apresenta suas composições, como “Um Sábado na Urca”, vencedor do II Festival Curitiba no Choro, além de clássicos da música brasileira em arranjos originais.

O resultado é uma apresentação leve, que mostra o Brasil que tem memória de sua riqueza cultural e artística seguindo em frente e, construindo assim a tradição musical brasileira do século XXI, estudada a fundo e desenvolvida com propriedade. É uma oportunidade para conhecer o que se faz de novo nas mãos de gente nova, que vive o Choro de ontem, hoje e amanhã.