GAFIEIRA BEBE

Gafieira do Bebê

Bebe Kramer: acordeon; Marco Pereira: Violão; Guto Wirtti: Contrabaixo; Cassius Teperson: Bateria; Bebeto: Percussão; Everson Moraes: Trombone; Aquiles Moraes: Trompete; Zé Carlos Bigorna: Saxofone / flauta; Nina Wirtii: Voz.

Na grande safra de músicos que desembarcou no Rio de Janeiro, principalmente na Lapa, em busca de viver a efervescência que o renovado bairro boêmio abrigou a partir da virada dos anos 1990 para os 2000, surgiu, vindo do Sul do país, um acordeonista ímpar. Alessandro “Bebê” Kramer, ou simplesmente Bebê Kramer, trouxe na bagagem, além do instrumento mais popular por aquelas bandas, uma bagagem musical de fronteira, de diálogo intercultural, e os ritmos regionais. E mais, uma rara capacidade de absorver conhecimentos, de reconhecer beleza no novo. E isso o acompanhou em suas andanças ao lado de músicos como Yamandu Costa, Hermeto Pascoal, Carlos Malta, Toninho Horta, Hamilton de Holanda e outros.

Do encontro fundamental com o maestro Paulo Moura, que o convidou para ser um de seus “batutas”, nome que o clarinetista emprestou de Pixinguinha, ele desenvolveu a ideia de explorar mais o acordeão no contexto da gafieira. Daí surgiu o projeto Gafieira do Bebê, em que o músico arregimenta um time de grandes músicos para executar um repertório de clássicos e de canções que ganham novos arranjos e levadas. O primeiro bailão acontece no dia 20 de fevereiro, às 21h, no Cordão da Bola Preta, com participação da cantora Áurea Martins.

O acordeão é um instrumento muito conhecido e difundido no universo da dança. Foi Luis Gonzaga quem mostrou isso ao Brasil. “Eu, como gaúcho e acordeonista, tenho um histórico de bailes vida afora. Quando vim morar no Rio, absorvendo e sendo absorvido por esta cultura rica e diversificada, não pude deixar de me influenciar pelo baile de gafieira” – explica Bebê, citando também outras de suas referências, a “menor big band do Mundo”, o trombonista Zé da Velha, e o trompetista Silvério Pontes, com quem toca constantemente.

Bebê será acompanhado por craques como o violonista Marco Pereira, pelo contrabaixista Guto Wirtti, pelo baterista Cassius Tepperson, pela percussão de Bebeto e pelos sopros de Zé Bigorna, Everson e Aquiles Moraes. A ótima cantora Nina Wirtti faz as vezes de crooner.

No repertório, “Adeus América”, de Haroldo Barbosa; “Chiclete com banana”, clássico de Gordurinha; “Influência do jazz”, de Carlos Lyra; e “Notícia”, de Nelson Cavaquinho, Alcides Caminha e Norival Bahia, entre outras.

Acompanhar Bebê Kramer e seu fole em sua viagem atemporal pelos salões de baile é garantia de leveza, alegria e boa música.

João Pimentel