Andrea Dutra por André Pinnola

ANDREA DUTRA

Cantora e compositora carioca.

A cantora e compositora Andrea Dutra foi vocalista de Tim Maia, cantou com Sandra de Sá, Serjão Loroza, Mart’nália, Danilo Caymmi, Dona Ivone Lara, Alcione, Emílio Santiago e Seu Jorge. Reza a lenda que ela foi a primeira mulher puxadora de samba do bloco Suvaco do Cristo, nos anos 90. No Ano do Brasil na França, cantou brazilian jazz no Palácio de Versailles. Pelo seu primeiro disco, Andrea Dutra, foi indicada ao Prêmio Sharp. Sua música Disseram, que está no álbum Soul of Brazil, da You Records, foi indicada ao Grammy Latino. Desde 2001 integra o Arranco de Varsóvia. Em 2007, Andrea lançou o CD O amor de uns tempos pra cá, em duo com Marcus Nabuco, cuja faixa A linha e o linho, de Gilberto Gil, fez parte da trilha sonora do remake da novela Tititi, TV Globo, em 2010. Desde 2010, o Andrea Dutra Quarteto é residente no Triboz, casa de jazz internacional, no bairro boêmio da Lapa.

Em 2014, apresentou-se no MIDEM Festival, em Cannes, França, a maior feira internacional de música do mundo.

Andrea tem cinco discos solos: Andrea Dutra, 1993; Black Museu Brasileiro, 1998; Quarteto Moderno, 2003; O amor de uns tempos pra cá, 2007 e Jamba, 2013. Gravou com diversos artistas e grupos.

Seu mais novo CD solo, Jamba, foi lançado em maio de 2013, pela Mills Records. No repertório, brazilian jazz, composições inéditas e regravações.

Há mais de 13 anos se apresenta, com o Andrea Dutra Quarteto, pelo circuito de casas de shows e teatros do Rio e de São Paulo. É residente do Triboz, casa internacional de jazz, na Lapa, desde 2010. Foi residente da Modern Sound por cinco anos.

A faixa A linha e o linho, de Gilberto Gil, do CD O amor de uns tempos pra cá, integrou a trilha sonora da novela Tititi, da TV Globo, em 2010.

Cantou no Palácio de Versalhes, no Ano do Brasil na França, em 2005. Foi indicada ao Grammy Latino e ao Prêmio Sharp, pelo seu primeiro disco Andrea Dutra.

No começo da carreira, foi vocalista de Tim Maia.

Venceu o Prêmio Tim de Melhor Grupo de Samba, como integrante do Arranco de Varsóvia, do qual faz parte desde 2001, tendo lançado 5 CDs e um DVD.

Andrea foi produtora e curadora do festival A influência do jazz. Andréa é jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense, é tradutora e escritora.

 Andrea Dutra * Jamba

JAMBA- O Jazz e o Samba em Andrea Dutra.

Raízes africanas, antenas em Ipanema, ramagens no subúrbio carioca, flores do Senegal. Jamba é uma declaração de amor e independência de uma cantora que sabe o que diz. Andrea Dutra é uma cantora moderna, daquelas transitaram e ainda transitam, muito confortavelmente por ruas e vielas musicais. Da roda de samba ao soul, do funk ao jazz, da Lapa ao Palácio de Versailles. Sem perder o passo, sem perder a linha. Com a autoridade e o conforto de quem já saiu por aí cantando faz tempo, que já emprestou talento pra Tim Maia, Alcione e Seu Jorge, de quem já puxou samba no Suvaco de Cristo nos carnavais dos anos 90, foi indicada ao Prêmio Sharp pelo primeiro disco e ao Grammy latino pela canção Disseram e teve sua versão de A linha e o linho na trilha do remake da novela Tititi. Como se não bastasse, desde 2010 Andrea integra o bem sucedido grupo vocal Arranco de Varsóvia e é cantora residente do internacional Triboz na Lapa.

Jamba é isso tudo e mais um pouco, uma garganta, uma compositora, uma voz. Fazendo pontes, construindo viadutos, promovendo encontros. O Samba e o Jazz, esses irmãos filhos da mãe áfrica, rodaram o mundo pra se encontrar aqui, na voz límpida de uma cantora atual, uma garganta verdadeiramente multicultural. Andrea Dutra é uma cantora do século XXI, uma árvore de copas altas e raízes profundas dando os frutos mais deliciosos do pomar dos sons e ritmos do momento atual.

O CD

Jamba é mistura de jazz com samba. Jamba também é o nome de uma cidade no Senegal onde estão fincadas as raízes do samba e do jazz. Jamba é o novo CD da cantora carioca Andrea Dutra, lançado pela Mills Records, no primeiro semestre de 2013. Jamba é jazz à brasileira: MPB e samba temperados com elementos do jazz. Melodias ricas, harmonias bem cuidadas, letras escolhidas a dedo.

Produzido por Carlos Mills, gravado ao vivo no estúdio Tenda da Raposa, o CD conserva o calor dos shows. O time que toca no disco é o mesmo que acompanha a cantora no palco, há mais de 10 anos: Paulo Malaguti Pauleira (piano, arranjos e direção musical), Augusto Mattoso (baixo acústico), Zé Luiz Maia (baixo elétrico) e Rafael Barata (bateria). Marcelo Martins (sopros) é o convidado especial em quatro faixas.

O repertório, composto por 12 canções, mistura cinco composições inéditas, inclusive da cantora, com a poesia de Monarco e Ratinho, o brazilian jazz de Moacir Santos e o lirismo de Fátima Guedes. Tem o samba de raíz de Moacyr Luz e Aldir ao lado da poesia de Vinícius de Moraes. E ainda Djavan, Fred Martins, Caetano. Música universal brasileira, na mais pura e quente mistura.

https://www.youtube.com/watch?v=oeSS8wskqMk

SOBRE AS CANÇÕES FALA ANDREA DUTRA

CRIAÇÃO – ANDREA DUTRA E FRED MARTINS

Fiz essa letra pensando em como eu gostaria de ser uma dessas pessoas que sentem dor de cotovelo por, no máximo, uma semana e já partem pra outra. Mandei a letra pro Fred Martins, compositor que adoro, ele me mandou a música pronta, sem mexer em nada. A comunicação foi direta entre nós, coisa rara.

MANDINGUEIRO – MOACYR LUZ E ALDIR BLANC

Me apaixonei pelo disco de mesmo nome, do Moa, que ouvi compulsivamente. Quando fui pesquisar sobre a música, eu soube que ela foi feita para a Leny Andrade gravar no primeiro e único disco do Kaballah. Aqui, numa versão bem vigorosa, aproveitando a energia e a dinâmica da bateria do Barata.

MEDO DE AMAR – VINICIUS DE MORAES

Eu sinto essa música como uma super concentração de sentimentos, que explora um tipo de emissão vocal igualmente concentrada, com andamento super lento, reflexivo, onde toda respiração soa. Adoro esse clima intro, em contraste com outras músicas do disco em que eu canto mais, ou muito mais pra fora.

OBSTINADA – PAULEIRA

Obra prima do Pauleira, que eu quis cantar desde a primeira vez em que ouvi. Melodia deliciosa, calor de samba bom e aquela qualidade buarqueana, de falar de coisa de mulher com propriedade total. Música de energia e auto-estima, sem chorumela.

SOU EU – MOACIR SANTOS E NEI LOPES

A música de Moacir Santos é fundamental quando se fala de brazilian jazz. E essa letra é tão luminosa, é como se fosse a música falando de si, da luz que traz pra vida da gente.

MUITO ROMÂNTICO – CAETANO VELOSO

Um clássico da música de Caetano, aqui num arranjo depurado em muitas e muitas jams do Andrea Dutra Quarteto, desde os tempos em que tocávamos nas tardes de sábado da Modern Sound. Essa musica é a nossa cara.

BRANQUINHA – ANDREA DUTRA E PAULEIRA

Meu manifesto contra o racismo, falando docemente sobre a tristeza de uma mulher que é invisível para o homem de quem gosta, justamente por ser branca. Minha primeira parceria com meu amigo Pauleira, que toca comigo há quase 20 anos, é meu colega de Arranco de Varsóvia, e que eu super admiro como compositor. Mandei a letra, ele devolveu musicada, com sugestões, e pimba!

SETE VÉUS – FATIMA GUEDES

Essa é uma queridinha do repertório das antigas, que o público ama demais e tem esse clima sexy irresistível, essa beleza acidentada e perigosa da melodia. Sou louca pelas músicas da Fatima Guedes. (historinha boa: A entrada da voz depois da pausa do fade final foi completamente psicomusicada, nunca saberei como eu entrei no tempo exato! Sem clic, sem nenhuma indicação. Respirei e entrei certinho, com ajuda do povo do além, com certeza!)

ESTILO – PAULO BI

Essa música foi fruto de uma conversa sobre estilo e personalidade, num dos longos papos que eu e o Paulinho Bi tínhamos sempre, ao telefone. Um pouco depois, ele me ligou avisando que tinha feito Estilo pra mim. Essa música também remete à minha fase soul e funk. Agora, é possível perceber que tudo o que eu sempre cantei se mistura e faz sentido no meu canto de hoje, com o conflito apenas necessário para provocar música.

MEA CULPA – ANDREA DUTRA

(historinha boa também) Essa musica foi praticamente um download astral. Eu estava dormindo quando a letra baixou inteira na minha cabeça e eu tive que levantar pra escrever a letra. No dia seguinte, fiz a música, toda de uma vez, enquanto me maquiava para um show. Quando cheguei no camarim, mostrei pro pessoal e ninguém acreditou que eu tinha acabado de fazer um “samba antigo”, com cara de clássico. Na gravação também rolou um lance espiritual e acabamos fazendo uma versão que chamamos de space samba.

VOU PROCURAR ESQUECER – MONARCO E RATINHO

Monarco e Ratinho têm uma coleção de parcerias que merecem atravessar a fronteira de estilos a que ficaram circunscritas. Conheci com o Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela e, quando comecei a cantá-la em rodas de samba, vi que era perfeita para a mistura que fizemos aqui, no Jamba.

A ILHA – DJAVAN

Esta música também faz parte do repertório que adotei como sendo quase meu, de tanto que canto, de tanta intimidade. E que letra, que melodia, que sensualidade! Artes do mestre Djavan, que faz parte da minha formação musical, da formação da minha geração e que merece meu “beija-mão” de joelhos, por ter-me feito compreender que era possível misturar tudo e ainda assim fazer música brasileira.